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Câmara aprova impeachment de Dilma 

Quando se proclamou o resultado final da votação do processo de impeachment da presidente Dilma Russeff, na noite deste domingo, restou um clima quase neutro, como se não houvesse vencido e nem vencedor, porque foi longa a manifestação dos parlamentares, um a um, com cada qual querendo fazer a sua particular saudação ao voto. Com frases em que se dirigiam aos familiares, filhos, netos, pais, esposas, às próprias comunidades, para a maioria das pessoas as mensagens soaram como declarações pessoais, quando na verdade cada um quis valorizar o momento histórico da sessão, homenageando os que ali estavam representando, e expressando o orgulho de estar inserido nessa página importante.
O processo é um castigo ao desempenho do governo, que agiu de forma arbitrária e abusiva, com ações condenáveis, enveredando pelos caminhos da mentira, da corrupção e dos equívocos, chegando a um estado de verdadeiro caos econômico, moral e político. A certeza da impunidade, graças ao rolo compressor que pensava comandar, levou a adotar medidas ilegais, que acabaram descobertas pelos órgãos fiscalizadores, que as condenaram, e mesmo pela população, já que o requerimento teve a assinatura de juristas, acatado pela Câmara dos Deputados.
Paralelamente acontece uma série de ações judiciais, investigando, prendendo e condenando políticos e empreiteiros do mais alto escalão, que uma vez apontados como suspeitos, encontram-se reclusos e respondendo por crimes de corrupção nos seus mais diversos graus, ai incluído até o ex-presidente Lula, os presidentes da Câmara e do Senado, deputados, senadores, ministros e outros menos votados, revelando-se manobras ilícitas para evitar apuração mais profunda dos fatos que chegam a toda hora ao conhecimento público, tidos como verdadeiros pelas “robustas provas” que investigadores afirmam existir.
E talvez por isso o impacto do resultado favorável ao processo do impeachment não tenha sido maior, já que de todos os lados políticos revelam-se figuras importantes envolvidas, e mesmo sendo a maioria dos corruptos fazendo parte do PT e do governo, há também aliados e até opositores, cujos nomes, muitas vezes com meras suspeitas, acabam ganhando mais notoriedade. Citar o nome de qualquer político da oposição, principalmente do PSDB, apenas pela contemporaneidade do governo em que a suspeita foi apontada, é um alívio para petistas e governistas, que logo passam a priorizar essas acusações, como uma absolvição aos mal feitos de seus partidos e partidários.
Há de registrar o desempenho do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, que mesmo bombardeado de todos os lados em virtude da enxurrada de acusações que lhe é imputada, conduz com frieza e segurança os trabalhos das sessões e de todo o andamento do processo.
O governo adotou a estratégia de polarizar o impeachment da presidente Dilma com a reputação do deputado Cunha, menosprezando as acusações de crime de responsabilidade que é acusado, para fazer com que se acredite que tudo foi uma retaliação, ou pirraça do deputado em represália por não ter contado com o empenho de Dilma junto aos seus parceiros do PT para livrá-lo do processo de cassação do mandato.
Agora a bola passa para o senado, que deverá decidir, através de uma comissão especial, se acata o impeachment já iniciado na Câmara, afastando a presidente do exercício do cargo por seis meses, e só depois desse julgamento, tendo dois terços dos votos favoráveis, a senhora Dilma estará definitivamente deposta da presidência da República. Como se vê ainda tem um longo e complicado caminho a percorrer.
Mas o judiciário  segue com a Lava Jato, e muitas denúncias de corrupção continuarão sendo investigadas e julgadas, inclusive envolvendo a tal da presidenta – como gostam de lhe chamar os petistas e membros do governo, para confirmar a fidelidade e submissão de cada um.