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O surpreendente agosto está apenas começando

A história mais recente do Brasil sempre reserva para o mês de agosto acontecimentos importantes. Ontem, no seu segundo dia, a Câmara dos Deputados se reuniu para apreciar um pedido do Supremo Tribunal Federal, para processar o presidente da República, Michel Temer, e que decidiu por negar a continuidade de uma denúncia feita pela Procuradoria Geral da República, apontando prática de corrupção passiva no exercício do cargo. Muitos interesses políticos e financeiros envolvidos com grandes figuras do mundo dos negócios, escusos principalmente.
O desenrolar dessas denúncias já banalizadas pela repetição e pelo notório abuso de autoridade, em nome de uma moralidade suspeita de autoridades jurídicas, numa submersa truculência arbitrária, que, sob o manto do combate a corrupção, acaba promovendo arbitrariedades, conta capítulos impressionantes, em que a grande mídia nacional se envolve dos pés a cabeça, tendendo para um lado só.
Criou-se uma polarização, onde um noticiário maciço de acontecimentos normais são transformados em escândalos, de maneira a incitar na população uma natural condenação antecipada, em que o cidadão afoito e enraivado se indigne com o noticiário do momento. A internet se encarrega de disseminar a opinião de cada pessoa, contribuindo para que o ambiente político esteja presente em todos os lugares de forma instantânea.
Mas o episódio presente envolve muito mais do que a condenação antecipada do presidente Temer, porque a acusação que se aponta no momento seria de uma gravação feita pelo empresário Joesley Batista, que, orientado pela procuradoria e por um ex-procurador seu advogado, apontaria conversa que, num exercício esforçado de imaginação, pode concluir por indícios de procedimento ilícito, notadamente nos intitulados de grave crime de obstrução de justiça e acerto de pagamento de propina.Já comentei sobre isso.
E passou então a ser o assunto principal da poderosa organização Globo, que escalou todo o seu elenco de jornalistas, atores, compositores, comentaristas e até cantores para massificar uma campanha em que vale dizer o que quiser contra o governo, até mesmo selecionar os seus opositores favoritos para entrevistas editadas, onde se percebe o cinismo hipócrita de alguns, com indisfarçável intenção de desestabilização do país, através de iniciativas desnecessárias e inúteis, para dissuadir a opinião pública, nisso atraindo até figuras que poderiam ser consideradas esclarecidas e sensatas. Todos começaram a bradar fora Temer e diretas já, como se essa fosse a questão e como se isso pudesse acontecer. E nem falo em golpe, a questão se resumia apenas na anuência do legislativo para o STF iniciar um processo criminal contra a pessoa do presidente, baseado numa denúncia que poderia e poderá até nem ser aceita e o caso ser arquivado pura e simplesmente.
A opinião pública generalizada entendia que o que estava em jogo era decidir se Temer era ou não corrupto, que cometeu ou não crime, e diante de tantas manifestações equivocadas, num resultado que favoreceu ao governo, entende que está derrotada e perdida nesse emaranhado de falsas e impossíveis informações.
Quem ganhou ou perdeu ainda não se sabe, porque o jogo está em andamento, e neste mês de agosto tudo pode acontecer, independente do natural, espontâneo e aleatório percurso que está pela frente.

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