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República da patifaria

As observações que faço interessam a mim mesmo, um exercício pessoal de observação sem que a ninguém queira envolver, sendo igualmente irrelevante, para mim, qualquer julgamento que possa ser feito às mesmas. Isto porque é comum a gente escrever o que pensa, publicar no facebook ou num próprio blog ou site que tenho, e atacarem não só a nossa ideia como a nossa pessoa. De formas que, azar.
Certa vez fiz um comentário sobre um inimigo oculto que domina o sistema político, administrativo e econômico do país, e fiz uma série de divagações sobre acontecimentos vividos no passado que se encarregaram de nos conceder esse país que ora desfrutamos, cheio de boatos e de patifaria generalizada, onde uns poucos se tornam donos de tudo e os outros são conduzidos perversamente ao bel prazer das articulações quase sempre desleais.
Acho que a conspiração continua em curso. Episódios grotescos, simplórios, ganham conotação de escândalo de acordo a impostação de voz dos apresentadores do famigerado Jornal Nacional. Estes fazem a pauta da nação, pouco importa que seja uma simples borboleta colaborando com a polinização das flores, até que percorra um longo e improvável caminho, se transformam em operação danosa e desonesta. A cada dia um fato novo comprova tanta deslealdade com a nação e com os fatos.
Agora escalaram um blogueiro, colunista de O Globo, para acender o pavio de uma bomba que incendeia o país, a partir de uma simples nota especulativa de que um acusado de corrupção, empresário graúdo das hostes petistas do governo anterior, teria gravações comprometendo figuras políticas conhecidas e até o presidente da república, contra o qual apenas indica uma pequena frase conclusiva de uma conversa.
O país está em polvorosa, todo mundo a emitir opiniões, e a unanimidade condena e execra os citados, como se a palavra de delatores em busca de vantagens processuais em penas por crimes praticados e confessados, disponha de credibilidade, nesses casos para servir de parâmetro para julgamento judiciais. Ainda mais quando se percebe uma trama ilegal e arbitrária, supostamente urdida por quem teria a obrigação de reprimi-la.
Por mais leigo que seja, percebo a total ilegalidade de toda essa delação e essa caça aos citados, numa armação grotesca onde os próprios investigadores produzem encontros, diálogos, situações em forma de armadilha, para serem utilizados em proveito do delator e em benefício de uma investigação, contra autoridades protegidas por imunidade. E transformam uma conversa pessoal e até confidencial num crime hediondo a desestabilizar o país inteiro, em todos os seus setores. E uma frase descontextualizada, que pode ter várias interpretações, ser transformada num único entendimento, como o ato criminoso cruel a compactuar com uma intocável obstrução da justiça, que já estaria sendo praticada pelo acusado delator, sob a proteção dos investigadores, de má fé, tanto que estava tudo sendo gravado.
A quem interessa essa caça a corruptos e corruptores forjada nos gabinetes de pretensos heróis da moral e da honestidade.
O que se faz com Lula não está no gibi, colocar um ex-presidente da república na frente de um juiz primário, para prestar esclarecimento sobre ações que teria praticado quando no exercício do cargo maior na nação, como se de nada servissem os órgãos de controle constitucionais, que fiscalizam contas e os atos do governo. Nunca votei e jamais votarei nele ou no PT, mas é o que está acontecendo. Ser presidente da república não dá nenhuma segurança a quem o exerce, nem durante e nem depois. E se sai buscando crimes que teriam sido praticados ou não. E se não tem prova, que se prove a qualquer custo.
Cabeça dura, não embarco de primeira nas acusações e condenações fáceis e gratuitas, sejam quais forem e contra quem forem, gosto de ver o direito respeitado. A ordem e a justiça traçadas numa clara e bem escrita constituição e leis, predominam no meu julgamento pessoal, pelo direito que me concedo de pensar e de agir, se eu quiser agir.
…………
Suspeitam agora, e com razão, da gravação feita do encontro entre o Friboi e o presidente, acatada de cara, sem que se mandasse averiguar a sua autenticidade, e agora, depois de periciada pela imprensa, se dão conta de edições ali produzidas, ou seja, foram cortados trechos da conversa, mesmo sem maquiar o que foi aproveitado. Mas esse presidente é de uma burrice enorme, como recebe um cidadão que já antes já insistira em querer falar com ele, e o faz de forma sub-reptícia, no final da noite, em palácio residencial, utilizando de ardil para ali ter acesso. Certamente ainda não lhe caiu a ficha de que é presidente da República, e tem o dever de seguir regras de segurança de defesa nacional. Com a falsidade que puxou assuntos e fez confidencias criminosas, urdidamente preparadas para atraí-lo a uma armadilha, poderia também tê-lo submetido a outras dificuldades pessoais.
E a gravação? Lógico que a gravação não foi feita com nenhum gravador, Joesley não seria ingênuo de levar um gravador que poderia ser detectado, mesmo porque ele não deve ter imaginado encontrar tanta facilidade para entrar no palácio naquela hora. A zoada que se ouve na gravação, acredito tratar-se de interferência de rf (rádio frequência), ou seja, um simples microfone camuflado transmitia para um gravador a distância, tão facilmente visto em escutas cinematográficas. Num celular ou gravador digital, a gravação poderia até estar baixa, mas com aquela interferência nunca. No tempo das fitas magnéticas a sujeira que produzia também não produzia aqueles ruídos, bastava um cotonete com álcool que o som ficava limpo.
A armação, que se diz monitorada pela PF, parece uma daquelas que Lula certa vez chamou de aloprados. Fotografam o deputado entrando numa pizzaria que não é identificada; uma mala de dinheiro que também não ficou identificada e se era a mesma que o deputado saira carregando. Essas peças são soltas, sem uma caracterização convincente. E se foi monitorada pela PF, não se explica porque não foi o deputado preso em flagrante.
Se fosse o x-9 Tralli, acredito que seria mais bem feita, mesmo que depois nada acontecesse, como as célebres prisões do banqueiro Dantas, em que o delegado perdeu o cargo e agora foi condenado a prisão, estando foragido em lugar incerto.
Ainda muito pior, a desenvoltura do criminoso confesso chamado de colaborador, Joesley, ao seguir com suas delações, cujas gravações da procuradoria são editadas para dar corpo a acusação, onde a conversa é coloquial, amigável, com perguntas quase sempre para se encaixar numa resposta combinada. Como teve pleno êxito para gravar e comprometer o presidente da República e ainda conseguir ganhar muito dinheiro em especulação financeira, saiu dali rindo, feliz, só faltando mesmo dizer que estava com a sensação do dever cumprido, com seus passaportes renovados, pegou uma das suas aeronaves, justamente a melhor de todas, com mulher, filho, empregados… E lá do alto, olhou para baixo e deu uma bela banana…

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